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Há causas urgentes para as quais os grupos de ajuda por anos não conseguiram coletar dinheiro suficiente: o sofrimento dos cristãos iraquianos, por exemplo, ou alimentos para aqueles que sofrem com o que a ONU chamou de “a pior fome do mundo em 100 anos” no Iêmen.

Por outro lado, há campanhas de financiamento que não apenas atingem suas metas, mas as superam em poucos dias.
A reconstrução de Notre-Dame, dizem os economistas franceses, que pode ser uma delas. A união dos economistas franceses responsável pela construção, Untec, divulgou números preliminares nesta semana, indicando que a reconstrução custará no máximo 600 milhões de euros(ou R$ 2,7 bilhões), sem incluir impostos, segundo a BBC.
O cálculo não é uma estimativa oficial e grupos dedicados a preservar a herança cultural francesa alertaram que os custos finais poderiam ser mais altos.
Enquanto isso, o número de doações levantaram discussões na França e em outras partes do mundo, depois que vários bilionários correram para salvar a catedral histórica durante a semana. 
As primeiras grandes doações foram prometidas logo no primeiro dia, em 15 de abril. O magnata francês François-Henri Pinault disse que contribuiria com 100 milhões de euros(ou R$ 440 milhões), seguido por seu rival Bernard Arnault, que anunciou uma doação duas vezes o valor de seu concorrente. Mais tarde, a família Bettencourt Meyers da L’Oreal e o executivo-chefe da gigante petrolífera Total anunciaram contribuições semelhantes.
Os indivíduos associados às famílias mais ricas da França argumentaram que as doações eram tributos ao significado histórico e cultural de Notre-Dame. A esposa de Pinault, e atriz Salma Hayek, disse que a família entendeu “a importância desse tesouro espiritual, cultural e histórico de Paris para o mundo”.
No entanto, muitas pessoas não concordam com isso, visto que Paris também é uma cidade capital com quase 30.000 moradores de rua, onde apenas os moradores ricos podem viver perto dos reverenciados tesouros culturais de Notre-Dame. Em alguns bairros de Paris, mais de 40% de todos os residentes vivem abaixo da linha da pobreza . Os ricos distritos centrais equilibram largamente essas desigualdades, e é por isso que – pelo menos no papel – Paris tem uma taxa de pobreza geral de 14%.
Nos últimos meses, a raiva pela desigualdade e a percepção de que Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron, presidente da França, é um “presidente para os ricos” se espalharam, devido a algumas declarações polêmicas. Essas tensões e o debate sobre a reconstrução de Notre-Dame se fundiram na semana passada, quando Macron prometeu pessoalmente durante um discurso na TV : “Vamos reconstruir Notre-Dame ainda mais linda e quero que seja concluída em cinco anos”.
A raiva aumentou novamente depois que um evento de arrecadação de fundos em prol de crianças carentes em Marselha, no sul da França, foi usado para arrecadar fundos para a Notre-Dame. A atriz americana Pamela Anderson, presente no evento, saiu revoltada do evento. O dinheiro, ela sugeriu, teria sido melhor gasto em crianças que vivem na pobreza.

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