Mortal Kombat (Super Nintendo)

Nota: 5,0

Mortal Kombat causou muito barulho ao ser lançado em 1992 devido ao uso dos sprites (quadros utilizados para fazer os personagens bidimensionais) feitos a partir da captura fotográfica de atores reais e ao utilizar amplamente o gore, no caso sangue explícito. Mas acima de tudo, foi um inventivo exemplar do gênero luta. Com o sucesso do jogo nos fliperamas, a versão para console tinha que aparecer, e naquele período havia uma briga gigantesca entre o Mega Drive e o Super Nintendo, e como resultado houve versões para ambas as plataformas. Levando em conta que naquele período os consumidores majoritários de video-games eram as crianças, tanto a Sega quanto a Nintendo decidiram que teriam de haver concessões para que o jogo fosse comercializado entre este publico.

No Mega Drive removeram a violência, porém na capa do jogo constava classificação para maiores de treze anos, e além disso deixaram um famoso código para liberar todo o sangue presente no jogo (ABACABB). Já a versão de Super Nintendo mudou a colorização do sangue para que este parecesse suor, deixando-o acinzentado, teoricamente garantindo que o jogo pudesse alcançar um publico extenso. Por conta das concessões da Nintendo, essa versão virou a mais polêmica de um jogo já rodeado de debates.

A trama é conhecida: O monge Liu Kang entra no torneio Mortal Kombat para salvar a Terra do feiticeiro maligno Shang Tsung. Entre os outros participantes estão a agente das forças especiais Sonya Blade, que entrou para perseguir o mercenário Kano e o astro de cinema Johnny Cage, cujo objetivo é de fato provar que sabe lutar. Destacam-se também os ninjas Scorpion e Sub Zero.

Nessa versão para Super Nintendo, os gráficos estão extremamente bonitos, não devendo à versão de arcades no aspecto visual. A movimentação dos personagens ao menos visualmente não decepciona, e os cenários são animados de forma rica. A censura de fato não é problema algum.

O grande problema é que os desenvolvedores se preocuparam demais em conservar o quesito visual do jogo com as alterações a ponto de dar pouca atenção à jogabilidade. Ela está descalibrada, e mesmo que os movimentos básicos sejam possíveis de ser realizados sem dificuldades, as sequências especiais, que definem cada personagem, frequentemente são impossibilitadas. É preciso uma precisão gigantesca num jogo que exige respostas imediatas devido à agilidade da inteligência artificial, e a jogabilidade atrapalha consideravelmente a jogatina.

Cada personagem responde de uma determinada maneira a essa questão, e os melhores nesse sentido são Liu Kang e Scorpion, os quais têm movimentos mais simples. Jogar com Sonya ou Sub Zero é praticamente impossível sem um treinamento rigoroso.

No quesito sonoro o resultado é misto. As vozes digitalizadas estão decentes, porém a trilha sonora está excessivamente abafada, empalidecendo em relação à versão de Arcade ou a de Mega Drive.

O jogador casual pode até se divertir se utilizar um dos dois personagens apontados como os melhores e regular devidamente a dificuldade. O grande problema é que se jogos de luta como Art of Fighting tinham uma dificuldade elevada devido à complexidade de seu sistema, a versão de Super Nintendo de Mortal Kombat está desse jeito por falta de cuidado dos desenvolvedores. A equipe encabeçada por Ed Boon e John Tobias não acertou ao trazer o jogo para essa plataforma, mas a história de suas continuações foi bastante diferente e em breve também falarei delas.

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