Nos videogames, quanto mais rápido, melhor?

A definição tradicional de “speedrunning” no mundo dos jogos se refere a simplesmente zerar um jogo na quantidade mínima de tempo necessário. Enquanto isso em si é compreensivelmente interessante, speedrunning evoluiu pra algo mais complexo. Os corredores não estão apenas se movendo através de jogos em velocidade vertiginosa, eles estão encontrando maneiras inteiramente novas de jogar.

Até mesmo os RPGs e as aventuras de “point and click” são alvos populares de speedrunning. Um jogo que você pode nunca ter dado mais do que um olhar breve é um dos quais esses corredores conhecem de cabo a rabo, por dentro e por fora graças a algumas centenas ou milhares de horas de devoção. Estamos falando de cada tela, cada glitch, cada nuance exaustiva e meticulosamente memorizada pra raspar preciosos segundos a menos no relógio. Por quê? Por diversão e glória, é claro.

Ainda mais fascinantes são os desafios únicos, definidos pelos próprios jogadores. Você pode estar familiarizado com um dos mais comuns: o “Nuzlocke Challenge”, em que os jogadores de Pokémon devem completar o jogo usando apenas o primeiro Pokémon capturado em qualquer área e sempre libertar criaturas que caíram na batalha. E os corredores já inventaram inclusive uma maneira fascinante de jogar Ori and the Blind Forest, o desafio OREO, ou “Ori Reverse Event Order” – Ordem Reversa de Eventos em Ori. É exatamente como parece: os corredores utilizam falhas em conjunto com suas habilidades pra progredir através do jogo de trás pra frente – também conhecido como “quebra de sequência”. Mesmo com essa desvantagem autoimposta, alguns corredores ainda batem o jogo em uma hora. Uma hora!

Os desafios definidos pelos jogadores são algumas das minhas coisas favoritas no mundo dos jogos. Esses jogadores mostram incrível perspicácia na criação de novas formas de estender a vida de seus títulos favoritos. É preciso dedicação séria pra aprender um jogo a um nível tão microscópico e as proezas que os corredores exploram podem alcançar um limite inacreditável. Quero dizer, no ano passado, eu assisti um cara jogar Castlevania: Symphony of the Night com os olhos vendados… E ele zerou!!! Como os speedrunners de Ori que jogam com o boneco de costas, ele zerou o jogo em pouco mais de uma hora. Eu provavelmente precisaria de dez vezes mais tempo mesmo de olhos abertos!

Esses corredores provam que há profundidade escondida sob a superfície de praticamente qualquer jogo que você pode pensar. Os jogos curtos, como Lollipop Chainsaw e Sin & Punishment: Star Successor, vêm à mente em meio a um oceano de outras opções. A sequência de crédito não é o fim pra esses jogos, é o começo, porque é quando os verdadeiramente qualificados podem começar a quebrá-los com o objetivo final de remontá-los da maneira mais eficiente possível.

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