Street Fighter / Fighting Street (Virtual Console – Wii)

Nota: 8.5

Para quase todo o universo a franquia pioneira dos jogos de luta Street Fighter começou com Street Fighter II: The World Warrior. O sucesso gigantesco deste jogo acabou por apagar a existência de seu predecessor, o qual acabou recebido de forma mista em seu lançamento tanto nas máquinas de fliperama quanto nos consoles. Street Fighter de 1987 mostrou o princípio das mecânicas e conceitos visuais que viriam a definir um gênero em sua continuação, e a Nintendo, a qual saiu muito beneficiada nos anos noventa graças à franquia da Capcom, disponibilizou sua versão para console na lista do Wii para compra e download online, e após algumas horas de jogatina, posso postar aqui minhas impressões sobre esta versão. Vale apontar que a Nintendo deixou disponível a versão mais notória dos consoles: A de Turbografx-CD estranhamente intitulada “Fighting Street”.

No enredo acompanhamos Ryu, um artista marcial que entra num torneio para testar suas habilidades e enfrentar os mais poderosos desafiantes. Uma premissa bem simples que veio a estabelecer os heróis deste gênero, bastante parecidos com aqueles vistos em animes e mangás. Tratam-se de indivíduos sem preocupações materiais, e sim em apenas mostrar seu valor e crescer tanto em poder quanto maturidade a cada luta. Ryu acabou por virar o próprio arquétipo destes protagonistas e viria a originar figuras tais como Liu Kang, o qual também segue este passo a passo, e a subversiva família Mishima na série Tekken. O vilão gigante e imponente é encarnado por Sagat, o qual veio a ter seu desenvolvimento nas continuações. O único personagem selecionável é Ryu, sendo Ken criado apenas para possibilitar o multiplay neste jogo (e a participação do rival norte-americano nunca foi canônica na franquia por conta disso).

Como era de se esperar num jogo de 1987 já cheio de missões para cumprir, o enredo não vai tão longe, então falemos sobre a jogabilidade. Esta versão dos consoles mostra uma diferenciação entre chutes e socos fortes e fracos, sem meios termos. É necessária precisão para executar os ataques especiais tais como hadouken e tasumaki senpukyaku, um tipo de ação instituída aqui também através de uma sequência de comandos pré-programada. As lutas são frenéticas: Golpes comuns tiram pouca energia do adversário porém a velocidade destes pode ser importante, enquanto o jogo te recompensa fartamente numa execução de ataque especial bem-sucedida. Claro que o mesmo vale para a inteligência artificial, porém as injustiças são raras. Claro, como este Street Fighter/Fighting Streets veio para definir um gênero numa era sem grandes referências, existem algumas falhas visíveis no manuseamento inicial dos botões com sua consequente resposta, porém um tempo treinando e entendendo o seu funcionamento deve resolver a situação. Como prova surgem as etapas bônus, outra posterior moda e que é impecavelmente executada aqui.

Mas a verdade é que o jogo tem tantos atributos técnicos irrepreensíveis que fica difícil condenar as falhas com severidade. Os gráficos e animações são bonitos, as vozes digitalizadas surpreendem por serem, na maior parte do tempo, inteligíveis mesmo com as limitações daquele período e a trilha sonora é espetacular. Atributos técnicos muito à frente do tempo, algo nada incomum levando em conta que este jogo foi lançado para os arcades no mesmo ano que o excepcional Mega Man veio a surgir no Nintendo 8 Bits.

No fim das contas este Street Fighter/Fighting Streets acabou como tantos outros exemplares iniciais de franquias posteriormente notórias os quais acabaram passando em branco por representarem o primeiro passo concluído com certa rigidez. Talvez não seja a melhor entrega para um jogador casual, mas certamente é uma experiência obrigatória para os retro gamers e fãs vorazes do gênero luta.

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