Ishbel Holmes é uma aventureira britânica-iraniana que decidiu viajar pelo mundo de bicicleta. Iniciando seu trajeto em 2014, Ishbel já pedalou por mais de 20 países (incluindo o Brasil), na Europa e também na América do Sul.
Em sua bicicleta, Ishbel usa um carrinho atrelado para resgatar animais de rua enquanto ela pedala. No entanto, isso não é uma história de uma mulher que nasceu amando os animais, e conseguiu realizar seu sonho de resgatar bichinhos abandonados. A história desta aventureira é muito mais triste do que se imagina.
O Começo
Tendo uma relação conturbada com a mãe, Ishbel não podia dizer que sua casa era seu lugar de descanso, porém ainda era melhor do que estaria por vir. Quando ainda era uma criança de 7 anos de idade, foi visitar seu pai, que havia se separado de sua mãe recentemente, e foi lá que um conhecido de seu pai a pedia para sentar em seu colo, e acariciava suas pernas. “Eu apenas me lembro de me sentir muito mal, de pensar que eu era uma menina horrível. Eu acho que foi a partir desse momento que eu passei a me odiar.”, disse Ishbel. Depois do ocorrido, seu pai a visitou apenas uma vez, e então ela nunca mais o viu.
Ishbel acreditava que quando chegasse aos 16 anos seria uma menina independente. E quanto mais ela e seus irmãos cresciam, mais dificuldade sua mãe tinha de lidar com eles. “Ela passou a me culpar por todos os problemas da família. A nossa relação era terrível e tensa. E eu me afastei cada vez mais.” Após o aniversário de 16 anos, Ishbel foi mandada embora de casa.
Estupro e expulsão de abrigo
Apesar de ainda ter vontade de voltar pra casa, Ishbel não tinha escolha. Ela precisava começar uma vida nova, mas ainda estava longe das coisas começarem a dar certo para ela. Certo dia voltando do trabalho, um carro com um grupo de homens parou para pedir informações sobre um lago próximo do local, um deles a perguntou se ela podia entrar no carro, mostrar-lhes o caminho, e eles a trariam de volta. E Ishbel com a intenção de ser gentil, fez isso. Eles então a levaram para longe e a estupraram.
Aos 21 anos, ela foi despejada de um abrigo para sem-teto. Ishbel diz que se reerguer naquele momento, foi uma das coisas mais difíceis de sua vida.
Ciclismo
Ishbel se matriculou em uma escola de ciclismo, no início ainda era complicado, ela era a única mulher, no entanto, conforme foi aprendendo começou a alcançar os demais. “Minha vida melhorou. Eu pedalava tanto que devia haver muita endorfina sendo liberada no meu corpo. Eu também tive, pela primeira vez, a sensação de pertencer a algum lugar.”.
Quando o velódromo de Glasgow, na Escócia, foi construído, em 2014, Ishbel foi até o evento para se divertir. Eventualmente, a ofereceram um lugar na equipe de ciclismo de Glasgow. Na sua primeira grande competição, Ishbel ultrapassou o vencedor do ano anterior e ganhou o ouro.
Foi então nessa época, que Ishbel recebeu um convite para um teste na equipe iraniana de cislismo, onde ela foi aprovada. Ela acreditava que essa era sua chance de se conectar com o Irã, e seu pai iraniano. Lá, Ishbel participou de movimentos feministas, começou a discursar contra a forma que as mulheres ciclistas estavam sendo tratadas, dentre outras coisas. No entanto, nada mudou.
Ishbel então deixou o Irã sem grandes histórias para contar, e foi rumo a Turquia. Lá, conheceu um homem que estava viajando em sua bicicleta havia meses. E então que surgiu a ideia de fazer o mesmo. “Eu peguei um voo de volta para a Escócia e vendi tudo o que eu tinha. Depois, peguei um voo para Nice, na França, e comecei a pedalar ao redor do mundo.”
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