Cada vez mais temos a certeza de que The Elder Scrolls V: Skyrim, lançado em 2011 pela Bethesda, se tornou, desde então, uma verdadeira referência quando o assunto é um lançamento de um RPG. Sua popularidade na época de seu lançamento só é comparável com a febre Pokémon dos anos 90, bem como a chegada da versão remasterizada do próprio game, que aconteceu no final de outubro do ano passado.

Quando Eiji Aonuma, produtor da série The Legend of Zelda, divulgou pela primeira vez Breath of The Wild, as comparações começaram imediatamente: “É Zelda encontrando Skyrim!”. De forma similar, na Gamescom de 2012, Adam Kovic, do site Machinima, descreveu Far Cry 3 como “Skyrim com armas”, o que causou a criação de diversos memes. No caso, se outros games eram parecidos ou não com o título.

E é fato que apesar de muitos games tentarem copiar a fórmula de Skyrim, foram poucos os que conseguiram tal feito. As únicas exceções são Fallout 4 (também feito pela Bethesda), The Witcher 3 e The Legend of Zelda: Breath of The Wild.

Razões do sucesso

Existem alguns motivos que explicam porque The Elder Scrolls V: Skyrim continua sendo uma referência no assunto “RPG’s com um mundo aberto fantasioso”: é acessível, possui um espaço visual bem confortável para explorar e ainda é o melhor de todos. Fallout 4 possui um fator replay e um sistema de diálogos melhor e combate mais interessante; enquanto que The Elder Scrolls III: Morrowind ainda é uma referência sobre a criatividade da Bethesda em construir novos mundos. Mas Skyrim, ainda assim, ocupa um espaço central no legado da empresa.

Como Breath of The Wild, Skyrim dá ao jogador a opção de ditar o ritmo da aventura, mas também oferece diversas distrações que valem a pena ser conferidas. E não estamos falando de cozinhar ou subir na copa de árvores, já que Skyrim possui diversas side quests dignas de terem seu próprio game. Você pode até mesmo ignorar a história principal do jogo, e ainda assim terá uma experiência completa. E o que separa Skyrim de seus concorrentes é o quão intuitivo que ele pode ser. É uma fórmula que a Bethesda usa faz tempo, que nem mesmo o ótimo Fallout 4 conseguiu superar Skyrim como o RPG mais completo deste século.

Além disso, o mundo de Skyrim nos parece bastante familiar. É possível notar diversas similaridades com a mitologia nórdica, como dragões europeus e guerreiros divinos, bem como seu final, que parece uma espécie de Ragnarok. Muitos jogadores também consideraram o mundo de Skyrim muito mais acolhedor do que os títulos anteriores da série Elders Scrolls.

Por mais que Fallout 4 ou Morrowind sejam ótimo games, eles não possuem o mesmo peso mítico que fez muitos jogadores desbravarem o mundo de Skyrim. Independente de como você se sente com o universo pós-apocalíptico de Fallout, ele é um artefato do passado (um século XX bem diferente, que nunca existiu). E Morrowind é um jogo ignorado por gamers mais casuais, por conta de sua atmosfera sombria, paisagens fora do comum e história complexa.

Tudo isso é um contraste em relação à série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, que serviu de inspiração para o seriado Game of Thrones, da HBO. E como o show teve início em abril de 2011, com certeza ajudou a aumentar a popularidade de Skyrim, que chegou as prateleiras alguns meses depois.

Como Skyrim, a Westeros criada por Martin é inspirada tanto no folclore europeu e na história medieval, e talvez seja, atualmente, o trabalho de fantasia ocidental mais comentado do mundo.

Ajuda das mídias sociais

Todd Howard, diretor de Skyrim e também da Bethesda, se lembra do impacto que o game causou em seu lançamento. “Estava além de tudo que nós já vimos”, disse. E ele lembra que o jogo chegou a ser referência cultural, após ser mencionado no seriado NCIS, que era o mais assistido da TV americana entre 2012 e 2014. “Eles fizeram a piada da flecha no joelho”, lembra Howard.

A massiva cultura online de fan arts, memes e músicas sobre Skyrim ajudam a explicar a mudança de público dos RPG’s de fantasia, que deixou de ser visto como algo voltado para homens geek, e agora engloba todos os tipos de pessoas, em todos os lugares. Além disso, o advento das mídias sociais – a maior plataforma de disseminação de memes – como conhecemos atualmente aconteceu justamente entre o lançamento de The Elder Scrolls IV: Oblivion, em 2006, e Skyrim, em 2011. Por exemplo, o Facebook possuía apenas 12 milhões de usuários ativos há 11 anos, enquanto que hoje já ultrapassou a marca de 1 bilhão.

O Youtube também seu papel na popularização dos RPG’s de fantasia. A cantora Malukah ficou conhecida por postar um vídeo no qual fez um cover de uma das canções do game, chamada de “The Dragonborn Comes”. Ele foi compartilhado pelo site IGN e já foi visto 19 milhões de vezes.

O sucesso foi tamanho que um estúdio menor, de propriedade da Bethesda, convidou Malukah para compor e executar as músicas de The Elder Scrolls Online, bem como a canção “Beauty of Dawn”, presente nos créditos do título. Desde então, ela já produziu músicas para outros games, como Call of Duty: Black Ops II e III, Far Cry Primal e The Banner Saga.